“e se eu pudesse voltar atrás?”se soubesses quantas vezes, dentro da minha cabeça, repito silenciosamente a mesma pergunta. se pudesses saber quantas foram as vezes que tentei inutilmente arrancar-te de cá de dentro. se pudesses contar as vezes em que disse baixinho a mim mesma “esquece-o”;
as vezes em que olhei para dentro de mim mesma e procurei forças para lutar contra mim própria.depois de te ter tido, depois de não mais te ter, o”se” é uma constante. e persegue-me a ideia de voltar atrás no tempo, de não estar naquele dia, naquele lugar, àquela mesma hora, de ignorar os sinais, de te ignorar a ti mesmo, de fingir não reparar, não me importar.
se voltasse atrás mudava o rumo, não seguia os teus passos, tapava os ouvidos para não ouvir as palavras que me disseste. arrancava de mim o coração para me impedir de sentir, de me deixar levar.o problema é o "se" não passar disso mesmo. de uma utopia. não posso voltar, mudar, fingir nem tapar, e acima de tudo não posso apagar. não posso pegar em ti e enterrar-te no canto mais obscuro que possa vir a encontrar. não posso eliminar o teu cheiro, o som gravado da tua voz, as memórias do que vivemos e do que ainda tínhamos para viver. queria tanto, tanto... mas não posso.se soubesses o quanto estava disposta a pagar para voltar atrás. seria mais fácil, mais vazio é certo, mas mais fácil também. preencheste-me ao mesmo tempo que arrancaste e levaste contigo um pedaço de mim. um pedaço que te pertence, que ainda hoje guardas e teimas em não devolver. guardas para que to peça, para que fique em dívida , quando mal tu sabes que muito mais alto é o preço que estou a pagar agora. não sabes sair de vez daqui nem eu sei expulsar-te definitivamente. e somos dois teimosos que remamos em direcções diferentes que nos levam ao mesmo destino, destino esse que eu quero tanto alcançar como não quero. somos dois loucos , e eu sou a pior. sou a pior porque teimo mais em ti, porque faço de ti algo demasiado próximo como distante. e vivo disso , desse resto de nós que por aí anda perdido e que eu não consigo apanhar e mandar para bem longe.
e por isso vagueiam ainda por aí, de mãos dadas, as sombras do que fomos. as sombras de futuros e de planos. de idiotices e de patetices. se soubesses o quanto eu dava para apagar as luzes para que as sombras se desvanecessem. se soubesses o quanto dava para bater com a cabeça e me esquecer de tudo. mas nada me garante que não venha a acordar numa cama de hospital e estejas ao lado e eu perceba quem tu és. nada me garante nada, sou uma idiota por isso mesmo. por nem saber se é ou não real, se estás ou não presente.sou uma idiota completa e o que mais me irrita é a certeza de ser uma idiota infinita. uma eterna idiota presa dentro de mim mesma, das minhas dúvidas e dos meus “ses”. por teres estado exactamente naquele dia, naquele local, naquela hora, é que fomos tudo quanto fomos.e se tu soubesses o quanto ainda me és...
as vezes em que olhei para dentro de mim mesma e procurei forças para lutar contra mim própria.depois de te ter tido, depois de não mais te ter, o”se” é uma constante. e persegue-me a ideia de voltar atrás no tempo, de não estar naquele dia, naquele lugar, àquela mesma hora, de ignorar os sinais, de te ignorar a ti mesmo, de fingir não reparar, não me importar.se voltasse atrás mudava o rumo, não seguia os teus passos, tapava os ouvidos para não ouvir as palavras que me disseste. arrancava de mim o coração para me impedir de sentir, de me deixar levar.o problema é o "se" não passar disso mesmo. de uma utopia. não posso voltar, mudar, fingir nem tapar, e acima de tudo não posso apagar. não posso pegar em ti e enterrar-te no canto mais obscuro que possa vir a encontrar. não posso eliminar o teu cheiro, o som gravado da tua voz, as memórias do que vivemos e do que ainda tínhamos para viver. queria tanto, tanto... mas não posso.se soubesses o quanto estava disposta a pagar para voltar atrás. seria mais fácil, mais vazio é certo, mas mais fácil também. preencheste-me ao mesmo tempo que arrancaste e levaste contigo um pedaço de mim. um pedaço que te pertence, que ainda hoje guardas e teimas em não devolver. guardas para que to peça, para que fique em dívida , quando mal tu sabes que muito mais alto é o preço que estou a pagar agora. não sabes sair de vez daqui nem eu sei expulsar-te definitivamente. e somos dois teimosos que remamos em direcções diferentes que nos levam ao mesmo destino, destino esse que eu quero tanto alcançar como não quero. somos dois loucos , e eu sou a pior. sou a pior porque teimo mais em ti, porque faço de ti algo demasiado próximo como distante. e vivo disso , desse resto de nós que por aí anda perdido e que eu não consigo apanhar e mandar para bem longe.
e por isso vagueiam ainda por aí, de mãos dadas, as sombras do que fomos. as sombras de futuros e de planos. de idiotices e de patetices. se soubesses o quanto eu dava para apagar as luzes para que as sombras se desvanecessem. se soubesses o quanto dava para bater com a cabeça e me esquecer de tudo. mas nada me garante que não venha a acordar numa cama de hospital e estejas ao lado e eu perceba quem tu és. nada me garante nada, sou uma idiota por isso mesmo. por nem saber se é ou não real, se estás ou não presente.sou uma idiota completa e o que mais me irrita é a certeza de ser uma idiota infinita. uma eterna idiota presa dentro de mim mesma, das minhas dúvidas e dos meus “ses”. por teres estado exactamente naquele dia, naquele local, naquela hora, é que fomos tudo quanto fomos.e se tu soubesses o quanto ainda me és...