quinta-feira, 6 de agosto de 2009



leva-me aonde quer que vás. protege-me ; resguarda-me aonde quer que estejas. dos teus mil quatrocentos e quarenta minutos diários, peço-te um. um minuto que seja para que penses em mim, mas pensa por favor. faz-me sentir que vou estar sempre presente contigo, aonde quer que cada um de nós vá, em qualquer que seja o ponto de separação ou de encontro.
o que importa é que haja sempre entre nós este ponto de retorno, esta maneira de andarmos sempre aos círculos, a encontrarmo-nos.
eu rogo para que seja sempre desta maneira, que nunca sejam precisos mapas para que te encontre. o meu mapa és tu, sem ti não encontro o caminho para qualquer que seja o destino de felicidade. só tenho uma bússola, só me aponta um ponto, que és sempre tu. para onde quer que eu vá hás-de ser sempre tu o meu Norte, e com as tuas nortadas viras tudo do avesso, acrescentas a tudo um quanto baste de loucura.
e é esta doce loucura a qual me habituaste que dá sentido a minha vida. quando te tenho por perto não consigo pensar em mais nada. sei que um dia vai acabar, pela lei da vida em que nada é eterno. e prefiro não pensar em quando já não te tiver por aqui. quando um dia o fim for derradeiro e eu esperar meses pelo ponto de retorno e ele não chegar.
prefiro pensar que vai ser sempre assim até ao ultimo dos dias. que vamos ter sempre os dois dezasseis anos e vou estar sempre eu abraçada a ti com o sol a bater-te na cara, o beijo roubado, os teus olhos a fitarem os meus e eu atenta à espera que digas que me amas. e quando o dizes eu só consigo sorrir e é ao pensar nesses segundos que eu chego à conclusão que não quero nem posso pensar no futuro. porque não consigo imaginar a minha vida completamente despregada de ti, pelo menos por enquanto.
“ uma pessoa quase igual a mim.”; se ainda assim for só espero que tenhas dentro de ti todos os meus pensamentos, tudo quanto espero de ti e de nós.
o primeiro beijo é irrepetível, o primeiro amo-te é irrepetível. mas o nosso amor tem eco, há-de sempre propagar-se.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009






-->
arrepia a simples troca de olhares; é possante o arrepio aquando da aproximação, quando o corpo reconhece o outro, quando a atracção é como que por íman, impossível de evitar. a sensação é de que nem uma muralha de pedra entre os dois conseguiria evitar o toque. sente-se que se o chão em baixo se abrisse continuariam imunes, como que a pairar, porque o momento é singular e irrepetível, e o próprio universo impede que algo o arruíne.
como que se desmaia, pende-se para um abismo de emoções, num mundo muito diferente do qual estamos habituados. os olhos cerram-se, pede-se em pensamento para que o momento seja eterno. as mãos encontram-se, entrelaçam-se e os corpos chocam finalmente. é possível sentir-se o coração a bater por toda a parte, mas é ali, quando ele bate ao lado do outro, no mesmo compasso, que a sensação é quase de imortalidade.
quando os lábios se tocam o cérebro desliga, os ponteiros do relógio partem e ambos partem para um mundo ainda mais distante.
aquando do toque, há a sensação de que são deixadas marcas, como se as pontas dos dedos fossem ferros incandescentes. tudo ali tem a sua chama, e mesmo dentro de cada um conseguem-se ouvir cordas de guitarras, como se cada um tivesse dentro de si um solo, o que suaviza ainda mais o momento, mas que o torna também ainda mais apaixonado.
podem-se passar horas e dentro de cada um segundos. pela singularidade do momento, pela paixão perigosa e sufocante, o tempo não pára mas paira. passa ao de leve, mais leve ainda que uma brisa.
os corpos nunca se largam, a paixão nunca fica em standby. tudo quanto se vive é vivido intensamente.
mas num mundo que é regido pela rotina, nenhum momento fica imortalizado nem congelado para ser vivido na sua perfeita essência. por isso tudo acaba com uma despedida, e nem aí os corpos deixam de se atrair. até à porta de saída, o toque continua a ser quem manda. os lábios tocam-se uma ultima vez e um vê partir o outro pela porta entreaberta. por escadas ou elevador, em leves passos revivendo tudo no pensamento, parte-se com a certeza de que não será aquela a ultima vez, porque tal como num encontro a paixão nunca fica em standby, numa vida, um grande amor também nunca o fica.