eu tenho, tu tens.
o mundo é o mesmo.
os dias têm-se passado sempre com a mesma duração. a música é constante, o som tem a mesma intensidade.
controlas o tempo, o espaço, o momento pertence-te unicamente. o meu coração, nas tuas mãos. aqui, no fim do mundo, onde tu estás, onde quer que vás, ele segue, ele sente.
e aumento o volume, sinto-me no centro. se te afastas, eu afasto-me contigo. não somos dois ímanes porque nunca nos repelimos. a atracção é inigualável, é fatal.
nesse momento somos todos iguais, todos somos corpos unicamente. ligados pela música, pelo ritmo, não é necessário conhecermo-nos. o que nos move é o mesmo, a paixão é igual, a intensidade é constante. nunca ocupamos o mesmo espaço, a felicidade é incompáravel e reflectida nos sorrisos silêncios, nos movimentos espontâneos e ondulantes.
mas se entras na sala as vozes cessam, o tempo arrasta-se, e com ele os meus olhos seguem os teus,tudo á nossa volta fica desprovido de cor, só tu te apresentas rodeado de todo esse brilho, de toda essa magia . todos se vão embora, somos só nos no centro. a música para, ou pelo menos muda. agora a melodia é constituida por batidas sem ritmo, porém arrebatadoras.
tocas-me e a música reaparece, o volume sobe como nunca. o meu corpo segue o teu, as luzes mais fracas ficam como que intermitentes.
sinto-me tua , tua como nunca. e no entanto possuidora de todo um mundo. somos mais que todos aqueles que habitavam a sala há minutos. somos um. um corpo, só um coração, um só ritmo.
e assim ficámos horas, meses, anos.
nesse ritmo frenético, nesse amor sem escala. se o mundo é meu, é teu também e se for necessário ir até ao seu limite, até ao fim, eu vou.
vou por ti, pela dança estruturada e apaixonada que criaste a partir da minha vida. mais que o mundo tenho-te a ti, e isso basta.
se um obrigado não chega, apenas tenho a dizer-te um muito obrigado. mais que a vida , mais que o mundo, somos nós.
nós temos.
tens-me.
