segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para quê jogar a algo que sabemos que nenhum de nós vai ganhar? É certo que a noite cai, mas é certo que há algo nosso? Nem nós somos certos, nunca o seremos. Para quê lançar dados viciados, resultados intermináveis da mesma opção, da mesma conclusão?
O meu mar é o mesmo que o teu, tu nesse lado, eu por aqui. E entre todo este mar não há pontes, barcos não se vêem. O meu amanhecer é quando te deitas, quando pousas a cabeça na almofada, quando ainda assim te lembras de mim. E enquanto eu adormeço, quando tu começas a invadir-me a cabeça, quando os teus braços ainda que na minha mente me rodeiam, tu estás a despertar para um novo um dia, mais um puzzle do qual eu, peça esquecida, não faço parte.
Nós tão temos lógica, não possuímos razão. Somos um amontoado de coisas e constantes. Fazemos sentido? Quando me leio aqui nestas palavras quase que não me revejo. Sinto-me sem motivo algum para me aprisionar às palavras, mas são elas a corrente que ainda nos liga.
Mesmo assim, tantas palavras, tão pouco tempo. Somos doença sem cura, e o Mundo está tão longe dos meus pés que não me sinto, não tenho noção do que é o espaço, apenas do tempo, porque o sinto passar através das saudades que temo sempre voltar a ter, e que não desaparecem. 
E não tenho trovões, nem Sol, nem chuva. Sou apenas o espaço, o resto parece-me sempre tão insignificante, que não existe. Não há mais nada para além de todas estas milhas que me detêm do destino, como que se ele não passasse de uma tragédia de cinema, algo de ficção. Por isso o meu destino, sinto-o como uma lenda. Sinto-o, embora saiba que não existe, porque sigo por atalhos, porque o meu caminho não esta definido, apenas este mar sei que existe. E tu para além dele, como quase sempre estiveste. Porque é que as coisas são sempre erradas quando pensamos demasiado que poderiam ser maiores e mais certas?
Se calhar somos todos felizes, se calhar tu estás aqui comigo e eu não sei porque penso que não estás, e isso sim toma o valor em mim. Se calhar eu nunca te conheci e és apenas algo de que eu escrevo, para quem eu escrevo, tal como o destino, uma lenda. Se calhar eu e tu nunca nos vamos cruzar. E se calhar, … vai calhar.