Para cada lado que siga perseguem-me os passos que dei a teu lado. Marcas no chão, traços de nós. Cada vez mais vincadas em tudo o que me rodeia.
Nunca fui tão completa, tão incerta. E dessa incerteza eu sinto falta, da falta de planos, da falta de nada me faltar, de ter tudo e não ter nada, comigo, em cada instante.
Fazes com que eu mesma questione se és de facto humano.
Não é normal um ser humano provocar efeito tão devastador noutro, não é normal uma vida ter segurança suficiente para aguentar com todo a imensidão que veio com esta história.
Perco a conta às vezes em que me perco nos teus olhos, às vezes em que as palavras me fogem e me escapam quando estás perto de mim. E perdi, há muito tempo, a pouca racionalidade que ainda me restava do que sobrou de mim, depois de nós.
Perco a conta aos textos que já escrevi, ás palavras onde imprimo a recordação do teu cheiro, da tua pele, dos teus lábios, de Ti. Perco-me, acima de tudo, em ti.
Conseguirei encontrar-me ?
Não há sentimento mais estúpido do que o amor, ridiculariza-nos.
Vejo por Ti, que fazes da minha cabeça presa do meu coração. E por toda a parte seguem-me estes rastos de nós, e eu sinto-me cada vez mais encurralada, como se a cada vez me encostasses mais contra a parede, como se os teus olhos mais uma vez prendessem os meus, e as tuas palavras me levassem para longe do Mundo.
Nunca senti tanto a falta de alguma coisa, como de Ti.
Sinto que ainda que passe toda a minha vida aqui sentada, a escrever, nunca conseguirei deixar marcado no papel metade do que já idealizei contigo, metade das sensações que imprimiste em mim em todo e qualquer momento no qual os teus braços me envolveram.
Desistir? A cabeça pede, o coração não deixa. O meu Mundo nunca vai deixar de pertencer totalmente ao teu, e eu nunca deixarei de pertencer a Ti. Quero ser maior que estes sonhos, quero que sejas ainda mais meu do que aquilo que já foste. Em Ti está o que eu mais quero, aquilo que remonta a minha mente quando penso no passado, quando idealizo um futuro.
Aquilo que me sufoca e me corrói no presente, a falta insaciável, a vontade incontrolável de te ter.
Um sentimento? talvez precisar.
Um verbo? Com toda a certeza, amar.