sexta-feira, 2 de abril de 2010



quebraste, parti.
quebram-se as cordas da guitarra, o fogo emerge, caio. tudo mudou, as folhas deixaram de cair. as flores migram, e o meu coração partiu com elas.
as aves voltam, também os medos.
senti os olhos a cerrar. fechei a porta, calei os sons. estudei a vida, parti do mundo. nem de mais , nem de menos. se pudesse escolher? não escolhia.
preciso de deixar de precisar, de não escolher, de não gritar. de não temer o que temo, se o fogo apaga, o vento traz e o fogo volta. se não volta, estranho. se volta, entranho. e tudo demais volta ao de menos, não escolho nem quebro, não parto nem fico. mas continua o fogo, não cessa nem muda.
o mundo está doido, já não mede , já não sente. dá demasiados passos á frente, não olha para trás. esquece o caminho, cansa de procurar, tarde ou nunca apaga, nunca salva, nunca fica. é nómada de raíz, ou muda tudo ou nada muda. não sabe o que sente, vive de escolhas, demasiadas e por isso não escolhe. vê-as passar, nunca as esquece, mas nunca as escolhe.
tal como eu, faço parte do mundo. louca? demais até. não meço, sinto demais. escolhas? não falo. são minhas, nunca certas, nunca erradas. sem magnitude, com abismo sempre certo, abismo que eu procuro. abismo que eu já entranhei, é sempre certo, e o fim é sempre o início.
um ciclo? vicioso. demasiadas perguntas e nenhuma resposta. não espero, desespero demais.
sou eu, nunca ligo, nunca ouço, nunca peço. entrego demasiadas peças, perco-as e nunca mais encaixo. vivo como um cigarro mal apagado, no fundo ardo, de menos ou de mais, nunca sei.
se eu sou tudo e tu és nada, não nos encaixamos. contrariamo-nos , vigiamos os passos de cada um e seguimos. estás sempre à minha frente, e eu? em frente a ti.
fechei o livro, chega de leituras, chega de conclusões precipitadas de um era uma vez e um ponto final, chega. chega , sabes?
cansei de viver a vida, a tua. sou eu cá dentro, e tu aí fora, fora do mundo, fora de mim.
não te procuro mais, não voltes nem que queiras. estou cansada demais para viver a minha vida, muito mais para viver a tua. não peças para a vivermos em conjunto, o peso seria maior. só me iria habituar a uma ajuda que mais tarde ou mais cedo iria, e eu surpreendida ou à espera, suportaria todo o peso de outrora. não, não, nunca mais.
entrei , fechei os olhos. o fogo fica, as aves voltam, as folhas deixam de cair. tu? ardeste, nunca mais voltes, nunca mais me faças cair. o meu caminho não é o teu, não o sigas.
quebrei, parti. amassei o destino nesta folha de papel, com ele ardeste.
fechei o mundo, parti dos sons.

calei a vida.