segunda-feira, 14 de junho de 2010


temos mil caminhos diferentes durante uma vida, e depois de amarmos pensamos sempre " tantos caminhos, e optei justamente por um que me levou a ele."
podia encontrar-te um dia por aí, nessas ruas, nesses sítios onde o mundo não pára, onde ninguém se conhece. podias-te apresentar, eu podia sorrir, ou podia detestar-te. tu podias não gostar de mim, da maneira que eu falo, da maneira que eu pego no cabelo e o ponho paro o lado. e eu podia desviar o olhar a cada palavra que me dirigias, podia estar atenta a cada gesto teu. podia por a minha mão em cima tua e dizer que foi sem querer, podias dar-me tua a mão, e eu podia levantar-me e ir-me embora. 
podias-me prometer o mundo e eu não aceitar, podias querer dar-me o universo e desse todo eu só te querer a ti. podias fartar-te de mim, do meu feitio difícil, do meu humor imprevisível, da minha teimosia. e eu podia fartar-me da maneira que ages, dos ciumes que tinha de ti. 
eu podia arrepender-me e voltar atrás, tu podias perdoar-me ou podias não me abrir a porta. podia nunca mais sentir a tua falta, podia ser feliz longe de ti, podia amar outra vez e encontrar-te anos depois, numa rua, num sitio onde o mundo não pára. podia dizer-te olá, podias-me abraçar. podiamo-nos olhar e fingir que nada aconteceu. podias nem me ver, podíamos começar do zero. 
hoje apetece-me amar. apetece-me correr até ti, saltar para os teus braços, apetece-me dizer-te repetidamente que te amo, apetece-me dançar contigo até de manha, apetece-me sonhar. apetece-me que isto nunca acabe. apetece-me esperar meses por ti quando estás longe só para depois te demonstrar o quanto senti a tua falta. apetece-me dizer-te " fazes-me feliz.", apetece-me pedir-te " não me deixes.". não me apetece que isto acabe. não me apetece chorar, não me apetece nada de finais. e hoje, como em todos os dias podia apetecer-me qualquer coisa. hoje só me apetece amar-te.
posso? (:

domingo, 13 de junho de 2010

ela já nao quer saber, as notas soltas perderam-se, o abismo tornou certo que a vida não ia ser um circulo, que os pontos sem retorno acabaram. não há como voltar atrás, ela não vai voltar ao que foi nem ao que eles eram, por isso ela senta-se no pouco mundo que lhe resta e aguarda que o comboio passe, que leve com ele todo esse peso. o comboio chega e ela percebe que o erro não é do seu passado, mas é nela que reside a incontrolável vontade de amar o que já partiu. por isso olha uma última vez para trás levando a despedida no olhar, e lentamente volta-se para frente. desta vez não volta o olhar para trás, com medo, com frio, sem ideias ou planos, parte. e o mundo mudou, a vida mudou, ela perdeu de vez o que tinha perdido e agora nada lhe resta, senão as memórias.
fartou-se de amar.