domingo, 13 de junho de 2010

ela já nao quer saber, as notas soltas perderam-se, o abismo tornou certo que a vida não ia ser um circulo, que os pontos sem retorno acabaram. não há como voltar atrás, ela não vai voltar ao que foi nem ao que eles eram, por isso ela senta-se no pouco mundo que lhe resta e aguarda que o comboio passe, que leve com ele todo esse peso. o comboio chega e ela percebe que o erro não é do seu passado, mas é nela que reside a incontrolável vontade de amar o que já partiu. por isso olha uma última vez para trás levando a despedida no olhar, e lentamente volta-se para frente. desta vez não volta o olhar para trás, com medo, com frio, sem ideias ou planos, parte. e o mundo mudou, a vida mudou, ela perdeu de vez o que tinha perdido e agora nada lhe resta, senão as memórias.
fartou-se de amar.