terça-feira, 6 de julho de 2010




Na viagem, seguimos então. É o último lugar que nos tem, em que as sombras altas tapam o mundo à nossa volta, e por momentos somos só nós. Mas sonhos demasiado altos ultrapassam todo o esconderijo, a luz do dia é demasiado forte. As cartas queimam-se, por muito que feche os olhos, o medo invade, e eu rendo-me para que nunca sejamos encontrados. 

A música chega aqui, ouço-a do outro lado do Mundo, ouço-a como se ouvisse o meu próprio coração, e tu lês-me sem eu falar, sem eu estar perto de ti sequer. Porque sentes, e conjugas mesmo em sonhos o verbo “pertencer” , são diferentes linhas de sonho, como se o Mundo estivesse quebrado ao meio, e estivesses em mim, ainda que do lado de lá. Linhas que se cruzam, não sei como, não sei quando. 
Mas é o destino, foi assim que a história foi escrita, viu-se por um começo revelado. Só pequei por te amar demasiado alto, o pequeno sonho que fugiu, que me morreu nos braços, que eu não pude salvar. E hoje como sempre pecas por me amar baixo demais, não sei se é amor que ouço neste momento, não sei saber , acho que ja nao te sei ler. Por isso escrevo, escrevo aqui como se estivesse a ler-te isto, porque sei que ainda do outro lado do mundo me vais perceber. Aonde quer que eu vá, onde quer que eu esteja, há partes de ti, pedaços de nós que nos rodeiam, a cada segundo em cada lugar, nunca desvanecem. Pedaços de quando me mostravas o caminho, quando abanavas o meu Mundo no bem e no mal, quando era a luz na minha vida e a minha tempestade. 
A cada segundo mais fraca, mais incapaz, e o sonho ao mesmo tempo que me escapa, leva-me com ele, não sei para onde, e cada vez mais temo por ter a certeza que não é a ti que ele me leva. 
Texto completo, inacabado, poe-lhe o ponto, ou continua-o.