quinta-feira, 30 de setembro de 2010

É perigoso o sentido que dás a minha vida. Sinto-me como que a atravessar constantemente estradas fatais, caminhos sem rumo, em que os carros se atropelam e o ar se move descontroladamente.
Esse ar que traz até mim o teu perfume, mesmo quando passas lá no fundo da rua, e eu de cá de cima te consigo respirar, como que o Mundo conspirasse contra a minha racionalidade, a certeza de que não te posso ter.
Parece que tens o dom de enfeitiçar os meus sentidos, cada um deles, a cada momento.  Mesmo a kilometros de distância és o fogo ardente que me queima por dentro, és o pouco de orvalho e de condensação que tolda a minha (muito pouca) razão.
E sendo assim és o motivo de queda em mim, e ao mesmo tempo o que ainda me faz mover, nesta tua estrada pela qual levas o meu rumo contra ao teu, pela qual me fazes seguir-te os passos.
E sigo-te, por entre toda esta multidão, nesta por onde passas despercebido aos outros, mas nunca a mim. Sigo-te com medo de te perder de vista, e assim perder-me a mim também. Sendo assim espero ansiosamente pelo momento de me dares a mão, finalmente, e assim ter a certeza que nenhuma estrada agitada, nenhum ar descontrolado, nem o poder da multidão te arrancarão de mim.
Ter a certeza assim de que nunca mais precisarei de olhar para trás quando passas por mim, numa tentativa de que tudo venha arrastado  por entre o presente até ao futuro.
E este final de tarde que dá cabo de mim, o calor que ecoa então por estes lados, este banco, este jardim,inútil, sem ti.