Não sei que raio de sentido tenho dado à minha vida. Estou e cheguei a um ponto em que não o percebo, não lhe encontro sentido. Metade dos caminhos que segui foram para fugir ao que não queria ver, que não poderia nem poderei ter.
Metade do que fui é algo que não sou, escondi-me e parti em algo que a ti me prende. Sou acorrentada para o fundo dos meus pensamentos e tudo à minha volta me leva a crer que metade da nossa vida, vivemo-la sem saber o caminho que estamos a percorrer, percebendo muito depois a importância de cada passo.
É nestes momentos, que também, cada passo que dei por esta estrada ecoam na minha mente, entrelaçam-se e pedem-me em gritos sufocantes para que os perceba, para que reflicta na importância que cada um teve para a tua chegada, para a tua partida.
Não percebo o que é que ainda me mantém em pé. Não percebo porque é que passei tanto tempo as escrever em coisas nas quais não acreditava.
Percebo sim porque é que tantas pessoas temem o amor, percebo que afinal na balança pesam sempre mais os contras , do que os prós. Sinto-me como se no meu mundo a noite começasse os meus dias.
Sinto como se todas as memórias que tenho presentes, cada lugar, cada palavra, acabam por ser um fio condutor que me leva a ti, sempre. Mesmo aquelas que retomam o meu pensamento a tempos anteriores àquele que foi o marco temporal em que posso dizer ‘conheci-te’. O que quero dizer é que acabo por ligar-te a qualquer espaço, a qualquer momento. Cada milésimo de segundo ou fracção particular da minha vida se liga impreterivelmente a ti.
Gostava de poder dizer “ sou feliz”, que a cada dia a minha vida se torna mais completa, mas … não. Gostava de abraçar o tempo, de conseguir dizer que este só me trouxe coisas boas.
O tempo, ou o mundo, trouxeram bastantes coisas boas à minha vida de facto. Coisas quaisquer em que em cada página de identificação se encontrava a palavra “efemeridade”. As melhores coisas que tive na minha vida, acabei por perdê-las, o que me leva de facto a pensar se vale a pena a felicidade, visto que quanto maior esta se torna, maior será o vazio após, e mais difícil será de preencher.
Gostava de poder colocar o medo e o vazio num envelope, enviar para uma morada sem remetente, para o fim,..de qualquer coisa.
Não há segundo que queira preencher, nem olhos que os meus queiram encontrar. Não há braços onde queira estar, sou barco que não quer em porto nenhum atracar. Não quero a Lua nem o Mundo, não quero nada. Quero o impossível e isso sei que nunca vou ter.