quarta-feira, 27 de julho de 2011

Dama de Copas

Pega nos dez mil esquemas que crias e mata sede à tua estúpida vontade incessante de controlar o que te foge, o que não guardas. Faz de conta que nunca foste em busca do que querias, que não assassinaste o que eras para agradar a alguém, que não mudaste de mundo por uma pessoa que não deu um único passo em direcção a ti.
Rasga os mil postais e as mil e umas cartas, os “querido diário” impregnados de um perfume que te asfixia as ideias e te sufoca. Parte sem a música repetida em descalabro na tua cabeça, não decidas o que o destino decidiu por ti. Morreu? Partiu? Sim. Não volta. Nunca.

Naturalmente jogador. Tens o natural dom de … perder ? O jogo na mão, confuso e precipitado. Estás vencido, completamente. Só estavas aqui pelo interesse de jogar, nada mais te interessava, pois não?                
Agora as cartas voaram para longe, uma perdida em cada canto, riscadas, rasgadas. Valete de espadas no chão. Dama : é a vencedora.

Fogo, tantas más notícias. É tudo uma merda, não é?

domingo, 3 de julho de 2011

" Pode o céu ser tão longe? "

Entreguei-me de novo aos livros catalogados e às notas da guitarra. O diário de bordo desta minha viagem tem transbordado emoções, tem feito com que das folhas soltas partam navios, que em cada palavra e em cada linha rebentem ondas altas em  apontamento divino como quem toca e arranca um pedaço do céu.
Afinal ainda sei descrever todas as viagens, sei de cor cada recanto e cada terra prometida. Sei partir nesse imenso azul e sei saborear o valor de voltar, a chegada aos braços que me apertam, sei reconhecer se esse é de facto o lugar certo. Se o sabor da partida se mostra inigualável, nunca terei palavras para falar desse ainda mais arrebatador que é o da chegada.
Para lá da infindável linha estão todos os sonhos que em mim habitam. Sou completa e sou maior no final de cada viagem. Não ficam os momentos, não só esses. Fica muito mais, fica cada ensinamento e cada obstáculo (contornado, sempre contornado). 
E conturbadas foram essas viagens para além da costa sombria, no lugar onde as ondas divinas viram negras, em que o demoníaco sentido de perda e de solidão nos vira a embarcação e o mundo. Somos convidados a essa marcha fúnebre, a esse despertar nefando para a verdadeira realidade. 

E eu? Ainda nessa embarcação soube chegar ao topo de mim. Soube ouvir o rádio meio quebrado no fundo do mar, soube içar as velas , soube partir.
E depois dessa partida veio esta doce chegada até ti, esta paragem e começo de uma navegação acertada em direcção a essa linha que anseio, a esses sonhos que quero atingir.
Encontrei o Norte, e tu? És muito mais que o meu porto seguro.