domingo, 3 de julho de 2011

" Pode o céu ser tão longe? "

Entreguei-me de novo aos livros catalogados e às notas da guitarra. O diário de bordo desta minha viagem tem transbordado emoções, tem feito com que das folhas soltas partam navios, que em cada palavra e em cada linha rebentem ondas altas em  apontamento divino como quem toca e arranca um pedaço do céu.
Afinal ainda sei descrever todas as viagens, sei de cor cada recanto e cada terra prometida. Sei partir nesse imenso azul e sei saborear o valor de voltar, a chegada aos braços que me apertam, sei reconhecer se esse é de facto o lugar certo. Se o sabor da partida se mostra inigualável, nunca terei palavras para falar desse ainda mais arrebatador que é o da chegada.
Para lá da infindável linha estão todos os sonhos que em mim habitam. Sou completa e sou maior no final de cada viagem. Não ficam os momentos, não só esses. Fica muito mais, fica cada ensinamento e cada obstáculo (contornado, sempre contornado). 
E conturbadas foram essas viagens para além da costa sombria, no lugar onde as ondas divinas viram negras, em que o demoníaco sentido de perda e de solidão nos vira a embarcação e o mundo. Somos convidados a essa marcha fúnebre, a esse despertar nefando para a verdadeira realidade. 

E eu? Ainda nessa embarcação soube chegar ao topo de mim. Soube ouvir o rádio meio quebrado no fundo do mar, soube içar as velas , soube partir.
E depois dessa partida veio esta doce chegada até ti, esta paragem e começo de uma navegação acertada em direcção a essa linha que anseio, a esses sonhos que quero atingir.
Encontrei o Norte, e tu? És muito mais que o meu porto seguro.