quinta-feira, 30 de setembro de 2010

É perigoso o sentido que dás a minha vida. Sinto-me como que a atravessar constantemente estradas fatais, caminhos sem rumo, em que os carros se atropelam e o ar se move descontroladamente.
Esse ar que traz até mim o teu perfume, mesmo quando passas lá no fundo da rua, e eu de cá de cima te consigo respirar, como que o Mundo conspirasse contra a minha racionalidade, a certeza de que não te posso ter.
Parece que tens o dom de enfeitiçar os meus sentidos, cada um deles, a cada momento.  Mesmo a kilometros de distância és o fogo ardente que me queima por dentro, és o pouco de orvalho e de condensação que tolda a minha (muito pouca) razão.
E sendo assim és o motivo de queda em mim, e ao mesmo tempo o que ainda me faz mover, nesta tua estrada pela qual levas o meu rumo contra ao teu, pela qual me fazes seguir-te os passos.
E sigo-te, por entre toda esta multidão, nesta por onde passas despercebido aos outros, mas nunca a mim. Sigo-te com medo de te perder de vista, e assim perder-me a mim também. Sendo assim espero ansiosamente pelo momento de me dares a mão, finalmente, e assim ter a certeza que nenhuma estrada agitada, nenhum ar descontrolado, nem o poder da multidão te arrancarão de mim.
Ter a certeza assim de que nunca mais precisarei de olhar para trás quando passas por mim, numa tentativa de que tudo venha arrastado  por entre o presente até ao futuro.
E este final de tarde que dá cabo de mim, o calor que ecoa então por estes lados, este banco, este jardim,inútil, sem ti.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sim, há mesmo pessoas que não valem os meses que perdemos a tentar construir coisas, que na realidade não têm base nenhuma.
Sim, existem essas pessoas, e sim não vou parar de dizê-lo porque eu digo o que me apetece, ponto final.
-    se o arrependimento matasse (...)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O amor é algo que já devia ter aprendido a por de lado. Algo que não devia ter voltado a acontecer desde a ultima vez.
*

domingo, 12 de setembro de 2010

Hoje senti a minha vida a fugir. Não tive a coragem de ir atrás, não tive.
Desejei nunca ter escrito o meu primeiro texto, a primeira linha. Desejei nunca ter sabido o que era o papel, o que era o amor. Desejei nunca ter saído das quatro paredes, da guitarra e dos meus livros. Desejei nunca ter conhecido o Mundo por fora, desejei nunca ter sido … livre.
Faço as malas, não tento voltar atrás, não tento pensar no que vai na tua cabeça.
Tenho saudades dos sonhos, da perfeição que colocava neles. E assim desejo, enquanto dobro a tua parte da fotografia para trás, nunca ter sido protagonista de nada. Convenço-me a mim mesma entra as lágrimas fugidias, que dava tudo para voltar a ser a parva sonhadora, a miúda que so tinha castelos e fadas dentro da cabeça.
O meu armário vai estar cheio de roupa outra vez, só da minha roupa. Sem espaço para mais nada nem ninguém.
E os livros vão estar espalhados, sempre pela casa. A guitarra vai perder o pó , e aquele canto vai voltar a ter-me la sentada. As músicas que fariam o meu coração acelerar, vão agora abranda-lo. Vou tapar as janelas, vou deixar de olhar lá para fora. Vou queimar todo o meu papel para não cair na tentação de o dobrar outra vez.
Vou parar de escrever, vou parar de sentir. Não quero amar, quero voltar para o meu mundo, recuperar o pouco que ainda há de mim espalhado por aqui.
Não vou mais andar por aí a voar num avião de papel, vou estar sempre com os pés na terra, sem querer voar, sem querer amar. Não quero viver a vida de mais ninguém, e a minha já esgotou. Por isso resta-me ficar aqui a tocar, a ler… a esperar que o tempo leva a parte física do que já não tem presença para continuar a viver.

Parabéns "vida", ou o que quer que sejas. Desta vez, ganhaste.