De altura implacável, de beleza imutável. De frente para o mundo, o ser pequeno contempla aquilo que lhe parece um patamar inatingível: a perfeição agradável à vista e que cativa o espírito, a estranha e saudável riqueza de uma região de antepassados e raízes que tocam o ponto mais profundo da Terra.
Janela com vista para os sonhos, para um mundo dentro de outro. Ninguém entende o porquê, mas todos o perseguem, todos fazem fila em frente à casa, ao cómodo compartimento isolado e perdido no meio de elevadas árvores, no meio de nós todos, no centro de cada um de nós.
Cores, promessas, desabafos. As histórias que outrora foram presentes momentos entre estas paredes, estão hoje inscritas em cada pedra, resistentes a qualquer erosão ou corrosão lenta por acção do tempo. Amores vividos e esquecidos, despedidas e partidas. Risos e alegria, lágrimas e perdões. Que segredos escondem estas paredes? Não queremos saber e nunca saberemos.
Na calmaria desta tarde, de frente para a janela dos sonhos, seremos hoje o que nunca fomos e o que nunca mais seremos. Somos a pessoa daquele momento, a pessoa para quem o mundo parou, a quem se rendeu. E também nós, completamente rendidos ao mistério deste céu, fixamo-nos no céu para além da janela. Parece-nos outro céu, completamente diferente. Como que conseguimos imaginar um final feliz, um final que entrelaça dedos com histórias passadas nesta edificação, um outro tempo num semelhar momento: único, singular e irrepetível.
Na nossa imaginação conhecemos protagonistas passados, a Maria que amou o “Manel”, o Manel que partiu e deixou a sua Maria, o amor da Maria e do Manel que nunca se perdeu, que ficou sempre aqui. Saberemos nós se o final foi feliz, ou não? Nunca. Mas aqui, de frente para a janela dos sonhos, nunca poderemos imaginar um final de tristeza. Apenas o Manel a voltar, com Maria a lançar-se nos seus braços: “ voltaste, meu amor!”
Casa de sonhos, janela para o paraíso. Paredes perdidas e escondidas, uma casa no meio desta região, mas que no entanto, parando em qualquer lugar do Mundo, poderemos encontrar: sempre dentro de nós.