Estou onde tu estás, onde te encontras todas as vezes que eu me encontro a mim mesma. Sou perdida e sou sem rumo, sou sem dúvida e com toda a certeza, inteira e de pedaços colados. Fui corajosa ao ponto de te entregar o caixote de papéis amontoados, os sarrabiscos todos que te fazem perceber-me.
Há nas mulheres que amam uma força que elas mesmo desconhecem, que o mundo não consome porque são como centenas e milhares de isqueiros ao alto, de rostos iluminados pela luz fraca e pálida do luar e da chama. São os inúmeros pontos brilhantes no céu, toda a imensidão que nos foge à compreensão.
Chamei-te no primeiro texto “porto seguro”. Não o és. E não o és porque hoje, como nos dias em que me deténs nos teus braços, eu sinto o medo, o horrível pensamento de que te poderei perder um dia. Mas fora isso, sim, sou segura e de pés bem acentes no mesma terra que pisas.
Há nas mulheres que amam, uma vontade de querer sempre mais. De querer o bem-estar dessa pessoa mais que o nosso. De pensar no que poderá acontecer e ao mesmo tempo debater-se consigo mesma para que não pense para além do que os seus olhos alcançam. Há toda a trabalheira mental de imaginar um casamento, filhos a correr pela casa. E há o pânico de ouvir um dia que o sentimento se esgotou.
O que eu sinto por ti, não esgota, nem se desgasta, nem me desgasta.
Há em mim o que mais ninguém sente. Contigo o meu coração bebeu pela primeira vez sentimentos sem prazos nem perguntas. Não preciso de me questionar acerca de nada, olhar-te nos olhos dá-me todas as respostas que preciso.
Há em mim tudo o que eu amo que tu ames, a vontade de te pedir para não ires embora, para ficares sempre por aqui.
Por isso, fica. Tudo isto é teu.