domingo, 1 de julho de 2012

Confissão.

Não faz nenhum sentido, pois não? As voltas que a vida dá, os tombos que levamos, a irracionalidade que nos domina tantas vezes. Somos fantoches numa peça de teatro que alguém disse uma vez “ não permite ensaios”.
Somos o tudo e o nada, somos completos disparates e incompletas personagens de mil e um contos. E hoje? Hoje nem sei o que sou. A cada ano que passa sei menos de mim, sei menos de tudo. 

Tenho notado em mim que os relógios mudaram muito desde que me lembro de ver as horas pela primeira vez. Os relógios de hoje em dia parecem-me andar bem mais rápido, o tempo parece-me esgotar-se com a maior fluidez. Acabaram-se os momentos que idealizei eternizar, veio a escassez do tempo e de muitas outras coisas. Não consigo encontrar em mim caminhos viáveis nem estradas que me levem a bom porto. 

A bússola quebrou, o coração partiu. Não há mais Norte nem razão. Só o tempo, esse que continua a passar, sempre e cada vez mais depressa. Os anos eventualmente irão passar. Com esses mais umas centenas de lágrimas e sorrisos. Mais algumas partidas, e algumas chegadas muito bem vindas. Algumas festas, algumas desilusões. Funerais e casamentos. Casamentos? 

O tal dia. O dia que um dia vai chegar para mim também. O dia em que irei estar ao lado de alguém prometendo o impossível. Mas nem tudo são sonhos, e eu tive a minha dose de sonhos em todo o tempo que estive contigo. Agora vivo neste constante pesadelo, à espera do dia em que acorde, e que a varanda esteja aberta propositadamente para ouvir o mar. E nesse dia o tempo vai parar por um bocado, nem que seja a última vez.